sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Excesoueu


Vivo de excessos, isso eu não nego.
E por assim viver, eu peco,
De tanto querer.

Vivo de excessos, confesso.
E de tanto querer, eu nego,
Para não sofrer.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O que é um caso senão o acaso repetido algumas vezes?



Ele devolveu a pureza que eu havia esquecido em algum canto do rancor. Voltei a sorrir como uma menina e me sentia tão leve como o bater de asas da borboleta. Eu era uma borboleta em graça, leveza e encanto.  Estava absolutamente diferente, mas isso não espantava, atraía. Eu era toda sentimento, o mar me invadia e eu me tornava sol. Quanto mais ele sugava de mim, mas eu me tornava minha. Nosso encontro fora algo inexplicável num mundo confuso. O reencontro, forjado por todos e garantido por ninguém. Não foi por acaso, mas contra todos os acasos que ele se deu. A permanência, tão improvável quanto o amor de uma puta. Não falávamos o mesmo idioma, mas a compreensão já havia se dado por outros meios. Nossos olhos conversavam sem que precisássemos dizer outras coisas. Estavam famintos pelo desconhecido. Dançamos. Eu tentava entender o que nos acontecia. Era inútil. Os passos dele eram ambíguos e incertos. Não sei exatamente quando o conquistei, se é que isso se deu. Não me agoniei, soube esperar. A impaciência, nesses casos, pode espantar o devir. Por vir, estávamos nós, a sós, na gruta em frente ao mar num ar propício para amar, não a ele, ainda era cedo para isso, mas aquele momento. Algumas palavras, poucos gestos e um desejo...o beijo! Era ele quem precipitava e tão logo se aquietava porque não se tratava mais de dois estranhos. Os corpos dormiam, nossas almas se tocavam. Quando nasceu, o beijo foi nostálgico, já continha em si uma certa melancolia, uma espécie de luto antecipado. E os corpos, quando conversaram, foi uma espécie de bruxaria. Cada toque era um aumento do mundo e uma dissolução de mim. Meu corpo era pequeno pra caber tanto sentimento, estava possuído por uma outra vida, entrava n’outra via, vivia, enfim. Aquele encontro foi um conto em cada canto de mim. Foram sinceros aqueles dias, entre a dor e a alegria nos amamos esperando pelo fim. 

Na fugacidade do tempo

Nada de certo, exceto a vontade.
De resto, um gesto...que saudade!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quase um ano e meio depois, resolvo escrever aqui. Parei não porque nada escrevi durante esse tempo, mas por considerar meus escritos de quinta catogoria e achar que não deveria compartilha-los com ninguém. Entretanto, resolvo voltar. Meus pesos pertencem a mim, e isso me basta!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O dó que me resta

Gostaria de escrever sofre a felicidade. Algo alegre, espirituoso, leve; mas me é impossível escrever sobre algo que não sinto, ao menos agora. Queria falar sobre as inúmeras felicidades clandestinas que me invadem vez ou outra. Queria contar as amizades fortuitas e intensas. Queria exprimir o espasmo das paixões violentas. Queria contar uma nota, no entanto só acho um dó, e é isso que tenho pr'a hoje.
SE a felicidade dos outros é tocante, porque ela não me toca? Quero senti-lá.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ora deabundância ora reticências

É preciso exorcizar um cheiro, uma água, um lençol.
Entre as ninharias presentes, isto subsiste.
Reclama lágrimas, dispões de um direito que não possui.
Move as entranhas, arromba com cinismo a porta.
Quero dizer que fiz um tipo de aborto, mas isso ainda não me é possível; resta-me, então, tentar exorcizar o colarinho, a praia, o motel.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

martírio.

Prefiro cultura inútil, que me faz rir.
Prefiro plutanismo que diverte.
Não me importa se sei quais são os tons e compassos da 3º sinfonia de Beethoven, basta-me ouvidos para ouvir.
Não me importa quais os traços ou as técnicas utilizadas por Munch ao pintar O grito ou por Van gogh ao pintar os girassóis, basta-me tão-somente olhos para admirar.
Assim como Manuel Bandeira "está farto do lirismo que não é libertação" eu estou farta do pedantismo que é mais segregação!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aglomerados de sentir.

Gosto do escuro porque me esconde;
Gosto da sombra porque me projeta;
Gosto do silêncio porque me consola;
De vida, gosto também, porque me espera a morte.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gotas

Desencontros...teia tecida.
Desabor, nada encontrado!
Capturada nas redes sem nada a fazer. Completa imolibidade diante do acaso. Coagulações de sonhos; Desperdício de ilusõs.
Choros miúdos, palavras atormentadoras.
Inoculação de veneno na veia da sobrevida e a certeza de que ele ainda tem um longo caminho a percorrer antes da paralizia total.

domingo, 1 de agosto de 2010

Murphi a la carte.

Às vezes me pergunto se eu sou por demais apresada e com isso não percebo que o fluxo das coisas não está se encaminhando para uma zona confortável ou se a lei de Murphi permeia minha vida.
Puta que pariu! É o que eu consigo dizer!
Pense numa vida azarada!!!!!!!!!!!!
Se algo tem que dá errado, provavelmente dará.
São 24 anos de vida e recordo-me de inúmeras coisas impossíveis, difíceis e inacreditáveis que acontecem comigo.
São bois e vacas que me atropelam, é cavalo mal selado que me derruba, gato acometido pela raiva que me morde, cachorro amigo que rasga...eita, ainda bem que até agora só falo de animais. O problema é que o homem também é um animal e, por ser racional, te atropela, derruba, morde, rasga sem o menor pudor e com uma categoria de dar inveja ao mais selvagem animal.
Por isso fico a pensar apenas nessas experiências, se fosse pensar no resto, com os outros animais, pularia da ponte mais próxima.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fragmentos e colagens

Ninguém é tão-somente alegria;
Nada é tão-somente sofrimento.
Somos feitos de fragmentos, denominados momentos, que depois de colados são tomados por vida.
Às vezes, por uma impressão puramente frequêncial, juntamos os fragmentos de maior ocorrência, aqueles que mais se assemelham, e tomamos a vida toda como um recorte feito a partir de tais ocorrências. Assim, dizemos ter uma vida alegre ou sofrida, nos dizemos felizes ou tristes.
O que esqueçemos é que somos constituídos por inúmeras forças que nos atravessam constantemente e que, no momento em que elas nos atravessa, nos tornamos outro.
Já não cabe cristalizar toda a existência em identidades momentâneas.
Fragmentos e retalhos dizem ser a vida. Porém, o que mais importa não é a colagem desses fragmentos e sim o fluxo que os põe em movimento, a força que os põe em fragmentação.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A última quimera.

Cada ano me enterro um pouco!
A vez primeira em que me enterrei foi aos 15,
depois aos 18, aos 20 e a cada ano é jogado mais um pouco de terra sobre o cadáver algoz
Já não sinto aquela esperançazinha de antes,
tampouco a vontade de fazer diferente.
E bem verdade que ainda penso, não como outrora,
mas ainda há algo de inexorável em meu ser!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Boas possibilidades só te acontecem nos momentos impróprios, inoportunos e inesperados; às vezes, morre no dilema da escolha!

domingo, 18 de julho de 2010

Sonhos, quantos sonhos!

Eita!
Derrepente eu sonhei que não mais queria sonhar,
porque o sonho, no sonho, era feito de lágrimas, sofrimentos e desencontros,
igual a vida que se passa e teimamos em tomá-la por real.

O que me move é um querer

Seja qualquer o caminho
A estrada é longa,
As certezas mínimas;
E a caminhada nem sempre é firme,
Nem sempre é breve,
E muitas vezes surpreendente.

E tudo que eu fiz, confesso!
Foram tentativas de acerto.
Sejam as respostas ásperas,
Os pedidos de desculpa,
Os sorrisos incontroláveis,
O silêncio!

Algo me diz que muito há de ser experimentado,
Aprendido,
Construído,
Transformado,
Destruído e esquecido.

O que não cabe é parar!
Prender-me,
Acreditar em impossibilidades,
Privar a vontade de descobrir;
Ser comedida em momentos que o que mais quero é arriscar.

O que me move é um querer!

Entre rupturas e formas mortas.

Somos todos rupturas e materia morta. Se pensarmos que a todo o momento estamos deixando de ser e sendo algo que até então não éramos, viramos um ponto de ruptura do que fomos mesclados as tais coisas que não existem mais, enquanto puras, mas que não deixaram de ser completamente pois ainda existem no que agora é. Assim, tornamo-nos coisas que a todo o momento pode irromper do real e a podridão deixada pelos restos do morrido. A pele, maior órgão do corpo, assim continua a existir, e somente assim! Crescemos, mudamos, esticamos, e a pele, com sua incrível capacidade de reorganização, torna-se outra no momento preciso.
Todas as coisas que nos constituem são também assim, ou deveriam ser! A alma, que dizem alguns, ser o que nos difere dos demais animais, deveria aprender, e muito, com a pele. No entanto, somos incapazes de aprender com a pele! Apegamo-nos as coisas antigas – sejam elas o que for- como se fossem as últimas coisas existentes, a última coca-cola no deserto. Diante disso, não produzimos rupturas, não percebendo que ela se faz necessária para mantermos seja uma pela mais bonita e jovial ou uma alma aprendiz. Assim, tentamos desesperadamente dar vida a uma matéria já morta, que poderia produzir muito, não fosse o fato de querermos dá-lhe vida, e assim, nada produz além de podridão. Torna-mo-nos cadáver algoz em uma incessante busca que não tem resultados tangíveis. E, ao invés de perceber as rupturas e as formas mortas como forças constituintes, as tomamos por desafeto e assim, nos tornamos inertes em nós mesmos.

sábado, 17 de julho de 2010

Que eu me contradiga,
Que eu me diga.
Que eu seja; já não sou!
Que eu desapareça;
Que assim não seja;
Que eu tenha sido,
Essa sim, já sou!