quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quanto ao silêncio

É necessário saborear cada nota da dor;
É urgente desfrutar o instante da amargura;
É preciso sofrer em compasso!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

martírio.

Prefiro cultura inútil, que me faz rir.
Prefiro plutanismo que diverte.
Não me importa se sei quais são os tons e compassos da 3º sinfonia de Beethoven, basta-me ouvidos para ouvir.
Não me importa quais os traços ou as técnicas utilizadas por Munch ao pintar O grito ou por Van gogh ao pintar os girassóis, basta-me tão-somente olhos para admirar.
Assim como Manuel Bandeira "está farto do lirismo que não é libertação" eu estou farta do pedantismo que é mais segregação!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aglomerados de sentir.

Gosto do escuro porque me esconde;
Gosto da sombra porque me projeta;
Gosto do silêncio porque me consola;
De vida, gosto também, porque me espera a morte.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gotas

Desencontros...teia tecida.
Desabor, nada encontrado!
Capturada nas redes sem nada a fazer. Completa imolibidade diante do acaso. Coagulações de sonhos; Desperdício de ilusõs.
Choros miúdos, palavras atormentadoras.
Inoculação de veneno na veia da sobrevida e a certeza de que ele ainda tem um longo caminho a percorrer antes da paralizia total.

domingo, 1 de agosto de 2010

Murphi a la carte.

Às vezes me pergunto se eu sou por demais apresada e com isso não percebo que o fluxo das coisas não está se encaminhando para uma zona confortável ou se a lei de Murphi permeia minha vida.
Puta que pariu! É o que eu consigo dizer!
Pense numa vida azarada!!!!!!!!!!!!
Se algo tem que dá errado, provavelmente dará.
São 24 anos de vida e recordo-me de inúmeras coisas impossíveis, difíceis e inacreditáveis que acontecem comigo.
São bois e vacas que me atropelam, é cavalo mal selado que me derruba, gato acometido pela raiva que me morde, cachorro amigo que rasga...eita, ainda bem que até agora só falo de animais. O problema é que o homem também é um animal e, por ser racional, te atropela, derruba, morde, rasga sem o menor pudor e com uma categoria de dar inveja ao mais selvagem animal.
Por isso fico a pensar apenas nessas experiências, se fosse pensar no resto, com os outros animais, pularia da ponte mais próxima.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fragmentos e colagens

Ninguém é tão-somente alegria;
Nada é tão-somente sofrimento.
Somos feitos de fragmentos, denominados momentos, que depois de colados são tomados por vida.
Às vezes, por uma impressão puramente frequêncial, juntamos os fragmentos de maior ocorrência, aqueles que mais se assemelham, e tomamos a vida toda como um recorte feito a partir de tais ocorrências. Assim, dizemos ter uma vida alegre ou sofrida, nos dizemos felizes ou tristes.
O que esqueçemos é que somos constituídos por inúmeras forças que nos atravessam constantemente e que, no momento em que elas nos atravessa, nos tornamos outro.
Já não cabe cristalizar toda a existência em identidades momentâneas.
Fragmentos e retalhos dizem ser a vida. Porém, o que mais importa não é a colagem desses fragmentos e sim o fluxo que os põe em movimento, a força que os põe em fragmentação.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A última quimera.

Cada ano me enterro um pouco!
A vez primeira em que me enterrei foi aos 15,
depois aos 18, aos 20 e a cada ano é jogado mais um pouco de terra sobre o cadáver algoz
Já não sinto aquela esperançazinha de antes,
tampouco a vontade de fazer diferente.
E bem verdade que ainda penso, não como outrora,
mas ainda há algo de inexorável em meu ser!